Cairbar Schutel

Estudo da Semana – 15 de Julho de 2012

O Novo Testamento: explicação no livro O Espírito do Cristianismo

 

A Prisão e o Inferno

 

 

“Quando, pois, vais com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para te livrar dele no caminho; para que não suceda que ele te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho e o meirinho te lance na prisão. Digo-te que não sairás dali até pagares o último ceitil.” (Lucas XII, 58-59.)

“Harmoniza-te sem demora com o teu adversário enquanto estás no caminho com ele; para que não suceda que o adversário te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão; em verdade te digo que não sairás dali até pagares o último ceitil”. (Mateus, V, 25-26.)

 

Estas duas passagens evangélicas constituem a antítese do Inferno Eterno, proclamado pelas Igrejas Romana e Protestante. Já tratemos muito desse assunto no livro, “Diabo e a Igreja, em Face do Cristianismo”, mas não será demais lembrar, em vista dos dois trechos acima transcritos, da insubsistência do “dogma do Inferno”, sobre o qual se alicerça esse elemento sectário, que diz representar o Cristo na Terra.

Cada um é julgado por suas obras, e cada qual tem o mérito ou demérito das mesmas obras. Ninguém pode ter salário superior ao serviço que fez; ninguém pode receber castigo maior do que o crime que cometeu. Não é preciso estudar Direito, nem Teologia, para compreender essa verdade que é intuitiva. E tão intuitiva é, que a nossa legislação suprimiu a pena de morte, assim como suprimiu as galés perpétuas que faziam parte do velho Código elaborado pelo elemento clerical, impregnado da idéia do Inferno Eterno.

A tendência evolutiva da lei não é mais para o castigo, mas sim para a correção.

Por isso é que afirmamos que Deus não castiga, corrige.

Vemos atualmente em nossas penitenciárias, por exemplo, o espírito que aí predomina. Um indivíduo pratica um crime; é condenado pelo júri à pena máxima – 30 anos. Vai cumpri-la na penitenciária. Nos primeiros tempos é submetido à prisão celular, para que seja observado, estudado, perscrutado. Conforme a ferocidade ou humildade que revele, ou fica entre as quatro paredes, ou e solto da cela, para trabalhos manuais e de educação moral e intelectual.

Em última análise, na cela ou fora da mesma ele recebe exortações morais. Se o comportamento e aplicação forem irrepreensíveis ele completará a metade do tempo na penitenciária, e, os demais 15 anos, ele os gozará em liberdade, isto é, será solto, tendo, como se diz, a “‘cidade por mensagem”, mas sob a inspeção das autoridades locais onde residir, tratando de si e de sua família até completar a pena, época em que terá absoluta liberdade como todos nós. Eis o espírito da lei, segundo nos disse distinto diretor da penitenciária o Dr. Franklin Piza.

E se na Terra a lei é assim concebida, com atenuantes e indulgências, como poderá deixar de ser assim no Céu, onde a justiça não se pode afastar da misericórdia e do amor!

Lei condenatória, eterna, inflexível, sem oportunidade de correção, mas puramente de vingança, é lei de infinita perversidade, de eterna maldade e que só pode ser concebida por gênios de igual jaez, perversos inquisidores, déspotas que não compreendem Deus, e se arvoram em senhores da inteligência, em escravizadores da razão para exercerem sua autoridade impunemente e manter o seu domínio no mundo.

Repeli esses falsários, esses orgulhos que pretendem fazer da religião um instrumento de sua insensatez, de seu egoísmo bárbaro.

Prevalece, como nos diz o Justo, Nazareno, a paga dos ceitis, que serão todos contados, e, quite o devedor, nenhum tormento suplementar sofrerá, porque Deus não pode fazer pagar dez ceitis a quem só deve cinco. Pago o último ceitil, paga está a dívida.

Não há Inferno; há condições e trabalhos para reparação e correção.

 

 

O Evangelho 2º o Espiritismo

 

Cap. III: Há muitas moradas na casa de meu Pai

 

Mundos Regeneradores

17. Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita eqüidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.

Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel. Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que doseu seio emanam.

18. Mas, ah! nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam.

Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra. – Santo Agostinho. (Paris, 1862.)

 

Nos Domínios da Mediunidade

 

Cap. 1: Estudando a Mediunidade

 

            Indubitavelmente – concordava o Assistente Áulus – a mediunidade é problema dos mais sugestivos na atualidade do mundo.

Aproxima-se o homem terreno da Era do Espírito, sob a luz da Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria e, decerto, precisa de cooperação, a fim de que se lhe habilite o entendimento.

O orientador, de feição nobre e simpática, recebera-nos, a pedido de Clarêncio, para um curso rápido de ciências mediúnicas.

Especializara-se em trabalhos dessa natureza, consagrandolhes muitos anos de abnegação. Era, por isso, dentre as relações do Ministro, que se nos fizera patrono e condutor, um dos companheiros mais competentes no assunto.

Áulus nos acolhera com afabilidade e doçura.

Relacionando aflitivas questões da Humanidade Terrestre, pousava em nós o olhar firme e lúcido, não apenas com o interesse do irmão mais velho, mas também com a afetividade de um pai enternecido.

Hilário e eu não conseguíamos disfarçar a admiração.

Era um privilégio ouvi-lo discorrer sobre o tema que nos trazia até ali.

Aliavam-se nele substanciosa riqueza cultural e o mais entranhado patrimônio de amor, causando-nos satisfação o vê-lo reportar-se às necessidades humanas, com o carinho do médico benevolente e sábio que desce à condição de enfermeiro para a alegria de ajudar e salvar.

Interessava-se pelas experimentações mediúnicas, desde 1779, quando conhecera Mesmer, em Paris, no estudo das célebres proposições lançadas a público pelo famoso magnetizador.

Reencarnando no início do século passado, apreciara, de perto, as realizações de Allan Kardec, na codificação do Espiritismo, e privara com Cahagnet e Balzac, com Théophile Gautier e Victor Hugo, acabando seus dias na França, depois de vários decênios consagrados à mediunidade e ao magnetismo, nos moldes científicos da Europa. No mundo espiritual prosseguiu no mesmo rumo, observando e trabalhando em seu apostolado educativo. Dedicando-se agora a obra de espiritualização no Brasil, e isto há mais de trinta anos, comentava, otimista, as esperanças do novo campo de ação, dando-nos a conhecer a primorosa bagagem de memórias e experiências de que se fazia portador.

Maravilhados ao ouvi-lo, mal lhe respondíamos a essa ou àquela indagação.

– Conhecíamos, sim – informamos, respeitosos, em dado momento –, alguns aspectos do intercâmbio espiritual; todavia, o nosso desejo era amealhar mais amplas noções do assunto, com a simplicidade possível. Em outras ocasiões, estudáramos ao de

leve alguns fenômenos de psicografia, incorporação e materialização, no entanto, era isso muito pouco, à face dos múltiplos serviços que a mediunidade encerra em si mesma.

O anfitrião, afável, aquiesceu em elucidar-nos.

Colaborava em diversos setores de trabalho e prodigalizarnos-ia aquilo que considerava, com humildade, como sendo “alguns apontamentos”.

Para começar, convidou-nos a ouvir um amigo que falaria sobre mediunidade a pequeno grupo de aprendizes encarnados e desencarnados, e em cuja palavra reconhecia oportunidade e valor.

Não nos fizemos de rogados ante a obsequiosa lembrança.

E, porque não havia tempo a perder, seguimo-lo, prestamente.

Em vasto recinto do Ministério das Comunicações, fomos apresentados ao Instrutor Albério, que se dispunha a iniciar a palestra.

Tomamos lugar entre as dezenas de companheiros que o seguiam, atentos, em muda expectação.

Como tantos outros orientadores que eu conhecia, Albério assomou à tribuna, sem cerimônia, qual se nos fora simples irmão, conversando conosco em tom fraternal.

– Meus amigos – falou, com segurança –, dando continuidade aos nossos estudos anteriores, precisamos considerar que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos.

Não ignoramos que o Universo, a estender-se no Infinito, por milhões e milhões de sóis, é a  exteriorização do Pensamento Divino, de cuja essência partilhamos, em nossa condição de raios conscientes da Eterna Sabedoria, dentro do limite de nossa evolução espiritual.

Da superestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da Mente de Deus, como os peixes e as plantas da água estão contidos no oceano imenso.

Filhos do Criador, dEle herdamos a faculdade de criar e desenvolver, nutrir e transformar.

Naturalmente circunscritos nas dimensões conceptuais em que nos encontramos, embora na insignificância de nossa posição comparada à glória dos Espíritos que já atingiram a angelitude, podemos arrojar de nós a energia atuante do próprio pensamento, estabelecendo, em torno de nossa individualidade, o ambiente psíquico que nos é particular.

Cada mundo possui o campo de tensão eletromagnética que lhe é próprio, no teor de força gravítica em que se equilibra, e cada alma se envolve no circulo de forças vivas que lhe transpiram do “hálito” mental, na esfera de criaturas a que se imana, em obediência às suas necessidades de ajuste ou crescimento para a imortalidade.

Cada planeta revoluciona na órbita que lhe é assinalada pelas leis do equilíbrio, sem ultrapassar as linhas de gravitação que lhe dizem respeito, e cada consciência evolve no grupo espiritual a cuja movimentação se subordina.

Somos, pois, vastíssimo conjunto de Inteligências, sintonizadas no mesmo padrão  vibratório de percepção, integrando um Todo, constituído de alguns bilhões de seres, que formam por assim dizer a Humanidade Terrestre.

Compondo, assim, apenas humilde família, no infinito concerto da vida cósmica, em que cada mundo guarda somente determinada família da Humanidade Universal, conhecemos, por enquanto, simplesmente as expressões da vida que nos fala mais de perto, limitados ao degrau de conhecimento que já escalamos.

Dependendo dos nossos semelhantes, em nossa trajetória para a vanguarda evolutiva, à maneira dos mundos que se deslocam no Espaço, influenciados pelos astros que os cercam, agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente, criando, alimentando e destruindo formas e situações, paisagens e coisas, na estruturação dos nossos destinos.

Nossa mente é, dessarte, um núcleo de forças inteligentes, gerando plasma sutil que, a exteriorizar-se incessantemente de nós, oferece recursos de objetividade às figuras de nossa imaginação, sob o comando de nossos próprios desígnios.

A idéia é um “ser” organizado por nosso espírito, a que o pensamento dá forma e ao qual a vontade imprime movimento e direção.

Do conjunto de nossas idéias resulta a nossa própria existência.

 

 

 

 


Estudo da Semana – 01 de Julho de 2012

O novo Testamento: explicação no livro “O Espírito do Cristianismo”

 

A Justiça dos escribas e fariseus

 

“Porque eu vos digo que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus.” (Mateus, V, 20.)

“Então falou Jesus ao povo e aos discípulos:

“Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus. Fazei e observai, pois, tudo quanto eles vos disserem, mas não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. Atam pesados fardos e os põem sobre os ombros dos homens, entretanto eles mesmos nem com o dedo querem movê-los. Praticam, porém, todas as suas obras para serem vistos dos homens, pois alargam os seus filactérios e alongam as suas tímbrias, e gostam dos primeiros lugares nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas, das saudações nas praças, e de serem chamados mestres pelos homens.” (Mateus, XXIII,1 a7.).

 

A Nossa geração parece ter herdado a mania de grandeza dos antigos escribas e fariseus.

Educados pelos sacerdotes da Igreja Católica Romana, que são outras tantas edições aumentadas do Farisaísmo, os nossos “maiorais” não podiam livrar-se do estigma de condenação com que Jesus assinalou aquela “raça de víboras” que o condenou à crucificação.

E não são os sacerdotes de Roma, relembrando os fariseus, e os sacerdotes protestantes, evocando os escribas, que se acham assentados na “Cadeira de Moisés” ditando leis, reunindo concílios, fazendo dogmas, impondo cultos, exigindo dízimos, finalmente atando aos ombros de suas ovelhas, pesados fardos, “que eles mesmos nem com a ponta do dedo querem tocar”?

Não são os padres, constituídos em hierarquia, que alargam seus filactérios, se vestem de púrpura e brocado com cruzes de safira e esmeralda crivadas de brilhantes, que alongam as suas fímbrias para se distinguirem dos demais homens, e, para conseguirem esse plano de domínio, freqüentam os banquetes onde lhes são oferecidos os primeiros lugares, e têm a primazia das igrejas, das quais chegaram a constituir-se proprietários, embora não gastem um vintém para essas edificações?

Não são eles que se tem na conta de mestres em Religião, doutores em Teologia, exigindo que a sua palavra seja o non plus ultra da sabedoria?

Os fariseus constituíam, no tempo de Jesus, uma seita muito numerosa, como a católica romana da atualidade. Os escribas eram os doutores que explicavam a Lei Mosaica ao povo. Faziam causa comum com os fariseus. Estas duas seitas dirigiam a opinião pública em Jerusalém e seus representantes eram homens do governo, ou tinham o apoio do governo.

Jesus, revolucionário denodado, apontava as gentes os rigores da lei porém mandava que todos a ela se subordinassem, porque o Código era rigoroso e impunha penas pesadas a quem a ele não se submetesse.

Entretanto, o Mestre não deixava de chamar a atenção dos seus ouvintes para as ordenações dos escribas e fariseus: “‘observai, pois, tudo quanto eles vos disserem, mas não os imiteis nas suas obras.”

A “justiça dos escribas e fariseus” é, mutatis mutandis, semelhante à justiça católica, à justiça protestante, à justiça que se observa atualmente no mundo entre governos e governados; é a justiça do “dente por dente”, “olho por olho”, que mata os assassinos e que pune os criminosos com o mesmo crime que eles praticaram; é a justiça da condenação eterna erigida em dogmas pelos Papas e Concílios.

É uma justiça sem discernimento e sem justiça, é uma justiça sem misericórdia e sem verdade, é justiça que antigamente dizia ser o Cristo filho de Davi (Mateus, XXII, 41-46), e atualmente erige nos seus tribunais como símbolo de sua Justiça, o Cristo Crucificado.

Mas, esperamos novos Céus, que venham a nós para que o Reino de Deus seja proclamado, e então, sacerdotes de púrpuras, escribas e doutores, governos e parasitas governamentais serão desligados da Terra para expiarem suas faltas em mundos que necessitem de sua ação, entre povos imaturos que também tenham por emblema o “dente por dente, olho por olho”.

O nosso planeta está no período agudo das dores que assinalam a Era Nova, em que resplandecerão, como estrelas de primeira grandeza: a Justiça, a Misericórdia e a Fé.

 

 

 

O livro dos Espíritos

58. Os mundos mais afastados do Sol estarão privados de luz e calor, por motivo de esse astro se lhes mostrar apenas com a aparência de uma estrela?

 

“Pensais então que não há outras fontes de luz e calor além do Sol e em nenhuma conta tendes a eletricidade que, em certos mundos, desempenha um papel que desconheceis e bem mais importante do que o que lhe cabe desempenhar na Terra? Demais, não dissemos que todos os seres são feitos de igual matéria que vós outros e com órgãos de conformação idêntica à dos vossos.”

As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão de ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver. Se jamais houvéramos visto peixes, não compreenderíamos pudesse haver seres que vivessem dentro dágua. Assim acontece com relação aos outros mundos, que sem dúvida contêm elementos que desconhecemos. Não vemos na Terra as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que há de impossível em ser a eletricidade, nalguns mundos, mais abundante do que na Terra e desempenhar neles uma função de ordem geral, cujos efeitos não podemos compreender? Bem pode suceder, portanto, que esses mundos tragam em si mesmos as fontes de calor e de luz necessárias a seus habitantes.

Libertação

 

Ouvindo Elucidações

 

            …“Os investigadores do raciocínio, ligeiramente tisnados de princípios religiosos, identificam tão somente, nessa anomalia  sinistra, a renitência da imperfeição e da fragilidade da carne, como se a carne fosse permanente individuação diabólica, esquecidos de que a matéria mais densa não é senão o conjunto das vidas inferiores incontáveis, em processo de aprimoramento,  crescimento e libertação.

“Nos campos da Crosta Planetária, queda-se a inteligência, qual se fora anestesiada por perigosos narcóticos da ilusão; no entanto, auxiliá-la-emos a sentir e reconhecer que o espírito permanece vibrando em todos os ângulos da existência.

“Cada espécie de seres, do cristal até o homem, e do homem até o anjo, abrange inumeráveis famílias de criaturas, operando em determinada freqüência do Universo. E o amor divino alcança-nos a todos, à maneira do Sol que abraça os sábios e os vermes.

“Todavia, quem avança demora-se em ligação com quem se localiza na esfera próxima.

“O domínio vegetal vale-se do império mineral para sustentar-se e evoluir. Os animais aproveitam os vegetais na obra de aprimoramento. Os homens se socorrem de uns e outros para crescerem mentalmente e prosseguir adiante…

“Atritam os reinos da vida, conhecidos na Terra, entre si.

“Torturam-se e entredevoram-se, através de rudes experiências, a fim de que os valores espirituais se desenvolvam e resplandeçam, refletindo a divina luz…”

Espírito e Vida

 

Deslizes Ocultos

 

       “167. Qual o fim objetivado com a reen­carnação?

       “Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”

       O LIVRO DOS ESPÍRITOS

 

Punge-te o coração o sofrimento do hanseniano lacerado, com amputações, carpindo rude expiação.

Aflige-te o espírito o obsesso emparedado nos cor­redores escuros do desalinho psíquico.

Angustia-te a sensibilidade o canceroso com prazo marcado na contingência carnal…

Faz-te sofrer o cerceamento social imposto ao de­linqüente, que se comprometeu por infelicidade mo­mentânea, arruinando outrem e a si mesmo infelicitando.

Constrange-te a visão do deformado físico, tera­togênico ou vítima circunstancial de um desastre ou tragédia, que arrasta a ruína orgânica, em viagem de longo curso.

Suscita-te piedade o espetáculo deprimente dos órfãos ao desamparo e dos velhinhos sem agassalho, exibindo a miséria nas ruas do desconforto.

Confrangem-te o peito os caídos ao relento, que fizeram dos passeios e portais rústicos de ruelas escuras o grabato de dolorosas provações.

Dói-te a patética das mães viúvas e esfaimadas e dos enfermos sem medicamentos ou, ainda, dos esque­cidos pelo organismo social.

Todos são passíveis do teu melhor sentimen­to de amor e compunção.

Ao fitá-lo, recordas-te dos “filhos do Calvário” e evocas, naturalmente, Jesus…

Eles, porém, estes sofredores, estão em resgate, dependendo deles mesmos a felicidade para o amanhã.

Já foram alcançados pelo invencível poder da Lei Divina.

Outros há que passam distribuindo simpatia e cordialidade, merecedores, no entanto, da mais profun­da comiseração.

Alguns têm o corpo jovem, e fazem dele merca­doria de preço variável na insegura balança das emo­ções negociáveis.

Muitos sorriem e são tiranos da família, que esmagam impiedosamente.

Vários são disputados nas altas rodas das comu­nidades e vivem do fruto infeliz das drogas estupefa­cientes.

Diversos mantêm bordéis e aliciam jovens le­vianos.

Uns jogam na bolsa da usura e ludibriam corações invigilantes e arrebatados…

Outros comercializam a honorabilidade do lar ou envilecem a dignidade dos ascendentes.

Inúmeros são agiotas corteses, conquanto inescru­pulosos e cruéis.

Incontáveis caluniam, amaldiçoam, apontam as falhas do próximo e, aparentemente, são justos, leais e bons.

Alçados alguns às posições invejáveis das artes, da política, das religiões são mendazes e empedernidos, delicados por profissão e criminosos disfarçados.

Uma infinidade destes, porém, ao nosso lado ou sob o nosso teto parecem nobres e honrados, sadios e corretos, mas não são..

Aqueles, os em resgate, possivelmente encontram-se arrependidos, ou, sob o látego da dor predispõem­-se às tarefas de recomeço feliz, mais tarde.

Estes, como são ignorados pelas leis dos homens, desconhecidos dos magistrados, prosseguem na carrei­ra insidiosa da loucura que os arrasta à meta do auto­cídio direto ou indireto.

Ludibriando sempre, esquecem-se de si mesmos.

Não os esquecerá, todavia, a Lei.

O  que fazem e como o fazem, o que pensam e contra quem pensam inscrevem-no, gravam-no no perispírito com rigorosa precisão, para depois…

Todas as culpas ocultas se transformarão em feri­das que clamarão pelo tempo e espaço medicamentos eficazes e dolorosos.

Expoliadores dos bens divinos, experimentarão o fruto da falácia e da zombaria.

Ouviram, sim, através dos tempos, os apelos da verdade e da vida.

Conheceram e sabem qual a trilha da retidão.

Podem agir com acerto.

Preferem, no entanto, assim. São os construtores do amanhã.

Ora e apiadas-te, meditando neles e nos seus cri­mes disfarçados e ocultos, para te acautelares.

A queda e o erro, o ato infeliz e o compromisso negativo que os demais ignoram, todos podem condu­zir em silencioso calvário. É necessário, porém, o esforço para a reeducação da mente e a disciplina do espírito.

Todas as vezes em que o Mestre ofereceu miseri­córdia e socorro a alguém no sublime desiderato do seu apostolado redentor, foi claro e severo quanto à não continuidade no erro.

Pensando nisso, dilata o amor aos sofredores, a piedade aos geradores de sofrimentos, mas cuida de não te comprometeres com a retaguarda, porqüanto amanhã, diante da consciência liberta, as tuas sombras serão os fantasmas a criarem problemas contigo ante a Lei Sublime do Excelso Amor.


Prece do Anjo Ismael

 

 

 

 

 

 

Glória a Deus nas alturas, paz aos homens na Terra! Jesus, bom e amado Mestre, sustenta os teus humildes irmãos pecadores nas lutas deste mundo. Anjo bendito do Senhor, abre para nós os teus compassivos braços; abriga-nos do mal, levanta os nossos espíritos à Majestade do teu reino, e infunde em todos os nossos sentidos a luz do teu imenso amor.

 

 

 

Jesus, pelo teu sublime sacrifício, pelos teus martírios na Cruz, dá, a esses que se acham ligados ao pesado fardo da matéria, orientação perfeita do caminho e da virtude, o único pelo qual podemos te encontrar.

 

 

 

Jesus, paz a eles, misericórdia aos nossos inimigos e recebe em teu seio bendito a prece dos últimos dos teus servos.

 

 

 

Bendita Estrela, Farol das imortais falanges, purifica-nos com teus raios divinos; lava-nos de todas as culpas, atrai-nos para junto do teu seio, santuário bendito de todos os amores.

 

 

 

Se o mundo com seus erros, paixões e ódios, alastra o caminho de espinhos, escurecendo o nosso horizonte com as trevas do pecado, rebrilha mais com Tua misericórdia, para que seguros e apoiados no Teu Evangelho, possamos trilhar e vencer as escabrosidades do carreiro e chegar às moradas do teu reino. Amiga Estrela, Farol dos pecadores e dos justos, abre Teu seio divino e recebe a nossa súplica pela Humanidade inteira.

 

 

 

Extraída da 57ª edição de PRECES ESPÍRITAS, de Caibar Schutel.



Jesus em Getsêmani

“Segundo o seu costume saiu para o Monte das Oliveiras e os discípulos seguiram-no. Chegado àquele lugar, disse-lhes:Orai para que não entreis em tentação. E separou-se deles cerca de um tiro de pedra e, ajoelhando-se, orou, dizendo: Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua. Então lhe apareceu um anjo do Céu, que o fortalecia. Estando em agonia, orou com mais instância; e o seu suor tornou-se gotas de sangue a cair sobre a terra. Depois de levantar-se da oração foi ter com os seus discípulos e achou-os dormindo e disse-lhes: Por que dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação. ” (Lucas, XXII, 39-46)

“Chegaram a um lugar chamado Getsêmani, e disse Jesus a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu oro. E levando consigo a Pedro, a Tiago e a João, começou a ter pavor e a angustiar-se. E disse-lhes: Minha alma está numa tristeza mortal, ficai aqui e vigiai. E adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra, e começou a orar que, se fosse possível, passasse dele aquela hora, e disse: Meu Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. Voltando, encontrou-os dormindo, e disse a Pedro: Dormes, Simão? Não pudestes vigiar nem uma hora?

Vigiai e orai para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. De novo retirou-se e fez a mesma oração. E voltando encontrou-os dormindo, porque estavam com os olhos pesados; e não sabiam o que lhe responder. E veio pela terceira vez e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Basta! É chegada a hora; o Filho do Homem está sendo traído nas mãos de pecadores. Levantai-vos, vamos; pois que se aproxima aquele que me trai. “ (Mateus, xiv, 32-42)

“Em seguida foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E levando consigo a Pedro e a dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e angustiar-se. Então lhes disse: A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai comigo. E adiantando-se um pouco prostrou-se com o rosto na terra e orou: “Pai meu, se é possível, passa de mim este cálice; todavia não seja como eu quero, mas como tu queres.

Depois voltou para os seus discípulos e, encontrando-os dormindo, perguntou a Pedro: Nem ao menos uma hora pudestes vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Tornando a retirar-se, orou: Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. E voltando-se outra vez, encontrou-os dormindo, porque estavam com os olhos pesados. Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então voltou para os discípulos, dizendo-lhes: Agora dormi e descansai; está próxima a hora, e o Filho do Homem está sendo traído nas mãos de pecadores. Levantai-vos, vamo-nos, pois, o que me trai se aproxima. “ (Mateus XXVI, 36-46)

“Depois de assim falar, saiu Jesus com seus discípulos para o outro lado do Ribeiro de Cedron, onde havia um jardim; e aí entrou com seus discípulos. Judas, que o traiu, também conhecia o lugar, porque Jesus ali estivera muitas vezes com seus discípulos. Judas, portanto, tendo recebido a coorte e alguns oficiais de justiça dos principais sacerdotes e dos fariseus, chegou a este lugar com lanternas, archotes e armas. Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? Eles lhe responderam:

A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. Judas, que o traía, estava também com eles. Logo que Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra. Jesus de novo perguntou-lhes: A quem buscais? Eles responderam: A Jesus, o Nazareno. Disse-lhes Jesus: Já vos declarei que sou eu; se é a mim que buscais, deixai ir estes, para se cumprirem as palavras que ele dissera: Não perdi nenhum dos que me deste. “ (João, XVIII, 1-9)

Nestas passagens dos Evangelhos salientam-se as grandes virtudes que nos elevam à morada dos bem-aventurados. Amor, Oração e Dever.

As religiões que se dizem cristãs se fundaram na Dor; o Espiritismo explica a dor como um acidente passageiro, que tem por causa ou a inferioridade do Espírito, ou as condições do meio em que o mesmo se acha, não podendo, portanto, consolidar a crença que ilumina, nem estabelecer a Fé que salva. Por isso, a crucificação e a morte de Jesus, precedidas por sua agonia no Jardim das Oliveiras, não podem absolutamente constituir o Espírito da Doutrina pelo qual o Mestre sacrificou os seus melhores haveres.

Leiam com atenção os trechos acima citados e digam se a angústia que fazia arfar o coração amantíssimo do Filho de Deus, em Getsêmani, não foi ainda muito maior, incomparavelmente mais dolorosa do que a própria morte que Ele sofreu no madeiro infamante?
Que quadro tétrico deveria ter-se desdobrado a seus olhos, naqueles tristes momentos em que o Senhor viu desmoronados os mais belos templos que, por três anos consecutivos, edificara: de um lado Pedro, Tiago e João em letargo, justamente no momento em que mais precisava da solidariedade do seu amor em preces; de outro, os oito discípulos em profundo sono; e além do Ribeiro de Cedron o outro discípulo em marcha para o trair, servindo de cicerone à milícia sacerdotal!

Este cálice poderia ser recebido sem tristeza mortal? Após três anos de dedicação, esforço e trabalho pela coletividade, ver-se abandonado até por aqueles próprios que se sentavam à sua mesa, que participavam dos seus dons, que se iluminavam com as suas luzes, e a quem havia o Nazareno entregue a metade do seu coração! Não bastavam as execrações e as calúnias que lhe eram atiradas pelos inimigos da sua Palavra, não bastava a indiferença dos pusilânimes que haviam bebido na fonte da sua Doutrina, até os seus Apóstolos deveriam ceder aos impulsos satânicos dos adversários invisíveis, para mais sangrarem o impoluto coração feito para amar e perdoar!

“Pai meu! Afasta de mim este cálice; mas se não for possível, submeto-me à tua vontade”. Estava escrito que Jesus venceria só, e que haviam de ser joeirados como o trigo, para que depois se identificassem com a Palavra. E se seus discípulos não dormissem, se orassem e vigiassem, se Judas, liberto de “Satanás” reconsiderasse seu ato e voltasse ao Jardim das Oliveiras, e todos os doze unidos em um, secundando as recomendações do Mestre, orassem, vigiassem, teria Jesus sido preso naquela ocasião pela coorte aliada aos oficiais de justiça dos sacerdotes?

Cremos que não, e fundas são nossas razões para assim pensar. O Jardim das Oliveiras não era conhecido por todos como sendo um dos lugares em que Jesus costumava ocultar-se, quando era perseguido, ou quando queria ficar a sós para melhor meditar, descansar e orar. Sem a indicação de Judas, a coorte não encontraria Jesus com facilidade. E se o encontrasse, possivelmente não chegaria a aproximar-se do Mestre, porque, com o auxílio da oração e da concentração dos doze, dar-se-iam, certamente, importantes fenômenos de materialização de Espíritos, como aconteceu no Monte Tabor, e os inimigos do Senhor não ousariam avançar; retrocederiam e iriam contar a seus chefes o que teriam presenciado.

A prece tem um poder muito grande, muito maior do que se calcula. A prece auxiliada por uma ação forte daqueles que oram é capaz de remover montanhas, quanto mais faz retroceder soldados! No Antigo Testamento há inúmeros exemplos de derrota de batalhões e de exércitos pela prece, auxiliada por uma ação forte e por aparições de Espíritos que faziam estacar os inimigos, dando ganho de causa àqueles a quem eles protegiam.

Para se ver quanto vale a força espiritual, mesmo na passagem do Evangelho de que nos ocupamos, temos um prova bem frisante: “Quando a coorte e os oficiais assomavam ao Getsêmani, após haverem atravessado o Ribeiro de Cedron Jesus adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscai? Eles responderam: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. Logo que ouviram a resposta de Jesus eles recuaram e caíram por terra”. E se os doze estivessem unidos com a mesma intenção com o mesmo espírito, com o mesmo desejo, com o mesmo amor, obedecendo aos sagrados ditames do seu Mestre? Conseguiriam os soldados prender a Jesus?

Mas, inutilizados como se achavam: um sob a dominação de Satanás, outros dominados por Morfeu, outros bestializados, como poderiam agir os propulsores do Cristianismo? Como poderiam agir estando os seus médiuns controlados pelos inimigos? E por que assim aconteceu – perguntará o leitor -, por que Jesus deixou “Satã” tomá-los, por que permitiu aos “espíritos imundos” influírem sobre seus discípulos?

Porque eles precisavam entrar em provas, porque era chegada a hora do joeiramento e o resultado denunciaria o mérito ou demérito que eles poderiam ter. Jesus bem os havia avisado: “Simão, Simão, Satanás obteve permissão para joeirar-te como o trigo; eu roguei por ti; tu, arrependido, fortalece teus irmãos.” Na Páscoa, o pão molhado no vinho foi dado a Judas, como sinal de outra possessão satânica, e o Senhor disse-lhe: “O que tens de fazer, faze-o já.”

Quanto aos demais discípulos, pelo trecho acima, pode-se fazer um juízo do seu estado de desânimo, de enfraquecimento; pois, se Simão, arrependido, “teria de fortalecê-los”, é que o enfraquecimento, o marasmo em que eles se achavam deveria ser muito grande.
Vê-se mais no Evangelho que, vencida a prova que absorveu todos os discípulos, não tendo sido passado o cálice, o Mestre, confortado por um anjo (um Espírito), deu tudo por consumado, e tratou de cumprir o seu dever sem momento; entregou-se à prisão, mas sob a condição terminante, que foi estritamente respeitada pela coorte, de: deixarem em paz seus discípulos, aqueles que com Ele se achavam naquela ocasião. E assim se cumpriu uma parte das suas promessas: “Não perdi nenhum dos que me deste”.

Finalmente, as amarguras de Jesus no Jardim das Oliveiras despertam na alma do espírita os deveres que lhes são impostos e a necessidade de viver continuamente em vigilância e oração, para que a sua tarefa não periclite e ele não dê acesso ao “Espírito do mal!”, que não perde oportunidade para obscurecer os princípios do Cristianismo, hoje revividos pelo Espiritismo.

A luta se trava no momento atual contra a Verdade, e nós, que nos esforçamos por vê-la triunfante, não nos contentemos “com a limpeza e ornamento da nossa casa”, segundo a frase evangélica simbolizando a higiene da alma, mas cuidemos em não ter essa “casa vazia”; povoemo-la de amigos a nós ligados pelos laços do afeto, da simpatia, do amor e da gratidão, para que o “inimigo” nela não encontre repouso, e não se instale, gozando e mal aplicando os bens que com grandes sacrifícios adquirimos. Lembremo-nos de que, unidos, podemos operar maravilhas e resistir aos mais poderosos adversários; mas, desunidos, seremos reduzidos a cinzas.

E quando abandonado na nossa tarefa, nunca desanimemos, porque um Espírito Benfeitor está a velar por nós, sempre pronto para nos encorajar e confortar nas dores e angústias. Oremos sem cessar, vigiemos para não ceder às inspirações do mal e, olhos fitos em Jesus, o autor e consumador da FÉ, cumpramos o nosso dever, custe o que custar, demonstrando nosso amor pelo ideal que tanto nos tem iluminado e que nos felicitará no Mundo da Realidade.

Cairbar Schutel