Arquivo para fevereiro, 2011

Yvonne do Amaral Pereira

Vídeo biografia sobre a médium Yvonne do Amaral Pereira, transmitido no Programa Terceira Revelação em 2007.

Vídeo produzido pela Federação Espírita Brasileira – FEB e o Conselho Espírita Internacional – CEI.

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Jesus em Getsêmani

“Segundo o seu costume saiu para o Monte das Oliveiras e os discípulos seguiram-no. Chegado àquele lugar, disse-lhes:Orai para que não entreis em tentação. E separou-se deles cerca de um tiro de pedra e, ajoelhando-se, orou, dizendo: Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua. Então lhe apareceu um anjo do Céu, que o fortalecia. Estando em agonia, orou com mais instância; e o seu suor tornou-se gotas de sangue a cair sobre a terra. Depois de levantar-se da oração foi ter com os seus discípulos e achou-os dormindo e disse-lhes: Por que dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação. ” (Lucas, XXII, 39-46)

“Chegaram a um lugar chamado Getsêmani, e disse Jesus a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu oro. E levando consigo a Pedro, a Tiago e a João, começou a ter pavor e a angustiar-se. E disse-lhes: Minha alma está numa tristeza mortal, ficai aqui e vigiai. E adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra, e começou a orar que, se fosse possível, passasse dele aquela hora, e disse: Meu Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. Voltando, encontrou-os dormindo, e disse a Pedro: Dormes, Simão? Não pudestes vigiar nem uma hora?

Vigiai e orai para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. De novo retirou-se e fez a mesma oração. E voltando encontrou-os dormindo, porque estavam com os olhos pesados; e não sabiam o que lhe responder. E veio pela terceira vez e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Basta! É chegada a hora; o Filho do Homem está sendo traído nas mãos de pecadores. Levantai-vos, vamos; pois que se aproxima aquele que me trai. “ (Mateus, xiv, 32-42)

“Em seguida foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E levando consigo a Pedro e a dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e angustiar-se. Então lhes disse: A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai comigo. E adiantando-se um pouco prostrou-se com o rosto na terra e orou: “Pai meu, se é possível, passa de mim este cálice; todavia não seja como eu quero, mas como tu queres.

Depois voltou para os seus discípulos e, encontrando-os dormindo, perguntou a Pedro: Nem ao menos uma hora pudestes vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Tornando a retirar-se, orou: Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. E voltando-se outra vez, encontrou-os dormindo, porque estavam com os olhos pesados. Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então voltou para os discípulos, dizendo-lhes: Agora dormi e descansai; está próxima a hora, e o Filho do Homem está sendo traído nas mãos de pecadores. Levantai-vos, vamo-nos, pois, o que me trai se aproxima. “ (Mateus XXVI, 36-46)

“Depois de assim falar, saiu Jesus com seus discípulos para o outro lado do Ribeiro de Cedron, onde havia um jardim; e aí entrou com seus discípulos. Judas, que o traiu, também conhecia o lugar, porque Jesus ali estivera muitas vezes com seus discípulos. Judas, portanto, tendo recebido a coorte e alguns oficiais de justiça dos principais sacerdotes e dos fariseus, chegou a este lugar com lanternas, archotes e armas. Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? Eles lhe responderam:

A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. Judas, que o traía, estava também com eles. Logo que Jesus lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra. Jesus de novo perguntou-lhes: A quem buscais? Eles responderam: A Jesus, o Nazareno. Disse-lhes Jesus: Já vos declarei que sou eu; se é a mim que buscais, deixai ir estes, para se cumprirem as palavras que ele dissera: Não perdi nenhum dos que me deste. “ (João, XVIII, 1-9)

Nestas passagens dos Evangelhos salientam-se as grandes virtudes que nos elevam à morada dos bem-aventurados. Amor, Oração e Dever.

As religiões que se dizem cristãs se fundaram na Dor; o Espiritismo explica a dor como um acidente passageiro, que tem por causa ou a inferioridade do Espírito, ou as condições do meio em que o mesmo se acha, não podendo, portanto, consolidar a crença que ilumina, nem estabelecer a Fé que salva. Por isso, a crucificação e a morte de Jesus, precedidas por sua agonia no Jardim das Oliveiras, não podem absolutamente constituir o Espírito da Doutrina pelo qual o Mestre sacrificou os seus melhores haveres.

Leiam com atenção os trechos acima citados e digam se a angústia que fazia arfar o coração amantíssimo do Filho de Deus, em Getsêmani, não foi ainda muito maior, incomparavelmente mais dolorosa do que a própria morte que Ele sofreu no madeiro infamante?
Que quadro tétrico deveria ter-se desdobrado a seus olhos, naqueles tristes momentos em que o Senhor viu desmoronados os mais belos templos que, por três anos consecutivos, edificara: de um lado Pedro, Tiago e João em letargo, justamente no momento em que mais precisava da solidariedade do seu amor em preces; de outro, os oito discípulos em profundo sono; e além do Ribeiro de Cedron o outro discípulo em marcha para o trair, servindo de cicerone à milícia sacerdotal!

Este cálice poderia ser recebido sem tristeza mortal? Após três anos de dedicação, esforço e trabalho pela coletividade, ver-se abandonado até por aqueles próprios que se sentavam à sua mesa, que participavam dos seus dons, que se iluminavam com as suas luzes, e a quem havia o Nazareno entregue a metade do seu coração! Não bastavam as execrações e as calúnias que lhe eram atiradas pelos inimigos da sua Palavra, não bastava a indiferença dos pusilânimes que haviam bebido na fonte da sua Doutrina, até os seus Apóstolos deveriam ceder aos impulsos satânicos dos adversários invisíveis, para mais sangrarem o impoluto coração feito para amar e perdoar!

“Pai meu! Afasta de mim este cálice; mas se não for possível, submeto-me à tua vontade”. Estava escrito que Jesus venceria só, e que haviam de ser joeirados como o trigo, para que depois se identificassem com a Palavra. E se seus discípulos não dormissem, se orassem e vigiassem, se Judas, liberto de “Satanás” reconsiderasse seu ato e voltasse ao Jardim das Oliveiras, e todos os doze unidos em um, secundando as recomendações do Mestre, orassem, vigiassem, teria Jesus sido preso naquela ocasião pela coorte aliada aos oficiais de justiça dos sacerdotes?

Cremos que não, e fundas são nossas razões para assim pensar. O Jardim das Oliveiras não era conhecido por todos como sendo um dos lugares em que Jesus costumava ocultar-se, quando era perseguido, ou quando queria ficar a sós para melhor meditar, descansar e orar. Sem a indicação de Judas, a coorte não encontraria Jesus com facilidade. E se o encontrasse, possivelmente não chegaria a aproximar-se do Mestre, porque, com o auxílio da oração e da concentração dos doze, dar-se-iam, certamente, importantes fenômenos de materialização de Espíritos, como aconteceu no Monte Tabor, e os inimigos do Senhor não ousariam avançar; retrocederiam e iriam contar a seus chefes o que teriam presenciado.

A prece tem um poder muito grande, muito maior do que se calcula. A prece auxiliada por uma ação forte daqueles que oram é capaz de remover montanhas, quanto mais faz retroceder soldados! No Antigo Testamento há inúmeros exemplos de derrota de batalhões e de exércitos pela prece, auxiliada por uma ação forte e por aparições de Espíritos que faziam estacar os inimigos, dando ganho de causa àqueles a quem eles protegiam.

Para se ver quanto vale a força espiritual, mesmo na passagem do Evangelho de que nos ocupamos, temos um prova bem frisante: “Quando a coorte e os oficiais assomavam ao Getsêmani, após haverem atravessado o Ribeiro de Cedron Jesus adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscai? Eles responderam: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. Logo que ouviram a resposta de Jesus eles recuaram e caíram por terra”. E se os doze estivessem unidos com a mesma intenção com o mesmo espírito, com o mesmo desejo, com o mesmo amor, obedecendo aos sagrados ditames do seu Mestre? Conseguiriam os soldados prender a Jesus?

Mas, inutilizados como se achavam: um sob a dominação de Satanás, outros dominados por Morfeu, outros bestializados, como poderiam agir os propulsores do Cristianismo? Como poderiam agir estando os seus médiuns controlados pelos inimigos? E por que assim aconteceu – perguntará o leitor -, por que Jesus deixou “Satã” tomá-los, por que permitiu aos “espíritos imundos” influírem sobre seus discípulos?

Porque eles precisavam entrar em provas, porque era chegada a hora do joeiramento e o resultado denunciaria o mérito ou demérito que eles poderiam ter. Jesus bem os havia avisado: “Simão, Simão, Satanás obteve permissão para joeirar-te como o trigo; eu roguei por ti; tu, arrependido, fortalece teus irmãos.” Na Páscoa, o pão molhado no vinho foi dado a Judas, como sinal de outra possessão satânica, e o Senhor disse-lhe: “O que tens de fazer, faze-o já.”

Quanto aos demais discípulos, pelo trecho acima, pode-se fazer um juízo do seu estado de desânimo, de enfraquecimento; pois, se Simão, arrependido, “teria de fortalecê-los”, é que o enfraquecimento, o marasmo em que eles se achavam deveria ser muito grande.
Vê-se mais no Evangelho que, vencida a prova que absorveu todos os discípulos, não tendo sido passado o cálice, o Mestre, confortado por um anjo (um Espírito), deu tudo por consumado, e tratou de cumprir o seu dever sem momento; entregou-se à prisão, mas sob a condição terminante, que foi estritamente respeitada pela coorte, de: deixarem em paz seus discípulos, aqueles que com Ele se achavam naquela ocasião. E assim se cumpriu uma parte das suas promessas: “Não perdi nenhum dos que me deste”.

Finalmente, as amarguras de Jesus no Jardim das Oliveiras despertam na alma do espírita os deveres que lhes são impostos e a necessidade de viver continuamente em vigilância e oração, para que a sua tarefa não periclite e ele não dê acesso ao “Espírito do mal!”, que não perde oportunidade para obscurecer os princípios do Cristianismo, hoje revividos pelo Espiritismo.

A luta se trava no momento atual contra a Verdade, e nós, que nos esforçamos por vê-la triunfante, não nos contentemos “com a limpeza e ornamento da nossa casa”, segundo a frase evangélica simbolizando a higiene da alma, mas cuidemos em não ter essa “casa vazia”; povoemo-la de amigos a nós ligados pelos laços do afeto, da simpatia, do amor e da gratidão, para que o “inimigo” nela não encontre repouso, e não se instale, gozando e mal aplicando os bens que com grandes sacrifícios adquirimos. Lembremo-nos de que, unidos, podemos operar maravilhas e resistir aos mais poderosos adversários; mas, desunidos, seremos reduzidos a cinzas.

E quando abandonado na nossa tarefa, nunca desanimemos, porque um Espírito Benfeitor está a velar por nós, sempre pronto para nos encorajar e confortar nas dores e angústias. Oremos sem cessar, vigiemos para não ceder às inspirações do mal e, olhos fitos em Jesus, o autor e consumador da FÉ, cumpramos o nosso dever, custe o que custar, demonstrando nosso amor pelo ideal que tanto nos tem iluminado e que nos felicitará no Mundo da Realidade.

Cairbar Schutel

 


NÃO SÃO OS QUE GOZAM SAÚDE QUE PRECISAM DE MÉDICO

11. Estando Jesus à mesa em casa desse homem (Mateus), vieram aí ter muitos publicanos e gente de má vida, que se puseram à mesa com Jesus e seus discípulos; – o que fez que os fariseus, notando-o, dissessem aos discípulos: Como é que o vosso Mestre come com publicanos e pessoas de má vida? – Tendo-os ouvido, disse-lhes Jesus: Não são os que gozam saúde que precisam de médico. (S. MATEUS, 9:10 a 12.)

12. Jesus se acercava, principalmente, dos pobres e dos deserdados, porque são os que mais necessitam de consolações; dos cegos dóceis e de boa-fé, porque pedem se lhes dê a vista, e não dos orgulhosos que julgam possuir toda a luz e de nada precisar.

Essas palavras, como tantas outras, encontram no Espiritismo a aplicação que lhes cabe. Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal. Parece, dizem, que tão preciosa faculdade devera ser atributo exclusivo dos de maior merecimento.

Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado, como da de ver, de ouvir, de falar. Ora, nenhuma há de que o homem, por efeito do seu livre-arbítrio, não possa abusar, e se Deus não houvesse concedido, por exemplo, a palavra senão aos incapazes de proferirem coisas más, maior seria o número dos mudos do que o dos que falam. Deus outorgou faculdades ao homem e lhe dá a liberdade de usá-las, mas não deixa de punir o que delas abusa.

Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? Onde, ao demais, o limite entre a dignidade e a indignidade? A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir. Não são estes últimos os doentes que necessitam de médico? Por que Deus, que não quer a morte do pecador, o privaria do socorro que o pode arrancar ao lameiro? Os bons Espíritos lhe vêm em auxílio e seus conselhos, dados diretamente, são de natureza a impressioná-lo de modo mais vivo, do que se os recebesse indiretamente. Deus, em sua bondade, para lhe poupar o trabalho de ir buscá-la longe, nas mãos lhe coloca a luz. Não será ele bem mais culpado, se não a quiser ver? Poderá desculpar-se com a sua ignorância, quando ele mesmo haja escrito com suas mãos, visto com seus próprios olhos, ouvido com seus próprios ouvidos, e pronunciado com a própria boca a sua condenação? Se não aproveitar, será então punido pela perda ou pela perversão da faculdade que lhe fora outorgada e da qual, nesse caso, se aproveitam os maus Espíritos para o obsidiarem e enganarem, sem prejuízo das aflições reais com que Deus castiga os servidores indignos e os corações que o orgulho e o egoísmo endureceram.

A mediunidade não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos superiores. É apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dúctil aos Espíritos, em geral. O bom médium, pois, não é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e somente deles tem assistência. Unicamente neste sentido é que a excelência das qualidades morais se torna onipotente sobre a mediunidade.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPITULO 24 iteNS 11 E 12
Allan Kardec
FEB – 2002


Oração Nossa

Senhor,
ensina-nos a orar sem esquecer o trabalho,
a dar sem olhar a quem,
a servir sem perguntar até quando,
a sofrer sem magoar seja a quem for,
a progredir sem perder a simplicidade,
a semear o bem sem pensar nos resultados,
a desculpar sem condições ,
a marchar para a frente sem contar os obstáculos,
a ver sem malicia,
a escutar sem corromper os assuntos,
a falar sem ferir,
a compreender o próximo sem exigir entendimento,
a respeitar os semelhantes sem reclamar consideração,
a dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever sem cobrar taxas de reconhecimento.
Senhor,
fortalece em nós a paciência para com as dificuldades dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros para com as nossas próprias dificuldades.
Ajuda-nos para que a ninguém façamos aquilo que não desejamos para nós.
Auxilia-nos sobretudo a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será  invariavelmente aquela de cumprir os desígnios, onde e como queiras, hoje, agora e sempre.

Chico Xavier / Emmanuel


CANDEIA SOB O ALQUEIRE. POR QUE FALA JESUS POR PARÁBOLAS

1. Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa. (S. MATEUS, 5:15.)

2. Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; – pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente. (S. LUCAS, 8:16 e 17.)

3. Aproximando-se, disseram-lhe os discípulos: Por que lhes falas por parábolas? – Respondendo-lhes, disse ele: É porque, a vós outros, foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas, a eles, isso não lhes foi dado1. Porque, àquele que já tem, mais se lhe dará e ele ficará na abundância; àquele, entretanto, que não tem, mesmo o que tem se lhe tirará. – Falo-lhes por parábolas, porque, vendo, não vêem e, ouvindo, não escutam e não compreendem. – E neles se cumprirá a profecia de Isaías, que diz: Ouvireis com os vossos ouvidos e não escutareis; olhareis com os vossos olhos e não vereis. Porque, o coração deste povo se tornou pesado, e seus ouvidos se tornaram surdos e fecharam os olhos para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, para que seu coração não compreenda e para que, tendo-se convertido, eu não os cure. (S. MATEUS, 13:10 a 15.)

4. É de causar admiração diga Jesus que a luz não deve ser colocada debaixo do alqueire, quando ele próprio constantemente oculta o sentido de suas palavras sob o véu da alegoria, que nem todos podem compreender. Ele se explica, dizendo a seus apóstolos: “Falo-lhes por parábolas, por que não estão em condições de compreender certas coisas. Eles vêem, olham, ouvem, mas não entendem. Fora, pois, inútil tudo dizer-lhes, por enquanto. Digo-o, porém, a vós, porque dado vos foi compreender estes mistérios.” Procedia, portanto, com o povo, como se faz com crianças cujas idéias ainda se não desenvolveram. Desse modo, indica o verdadeiro sentido da sentença: “Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entrem a possam ver.” Tal sentença não significa que se deva revelar inconsideradamente todas as coisas. Todo ensinamento deve ser proporcionado à inteligência daquele a quem se queira instruir, porquanto há pessoas a quem uma luz por demais viva deslumbraria, sem as esclarecer.

Dá-se com os homens, em geral, o que se dá em particular com os indivíduos. As gerações têm sua infância, sua juventude e sua maturidade. Cada coisa tem de vir na época própria; a semente lançada à terra, fora da estação, não germina. Mas, o que a prudência manda calar, momentaneamente, cedo ou tarde será descoberto, porque, chegados a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; pesa-lhes a obscuridade. Tendo-lhes Deus outorgado a inteligência para compreenderem e se guiarem por entre as coisas da Terra e do céu, eles tratam de raciocinar sobre sua fé. É então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, visto que, sem a luz da razão, desfalece a fé. (Cap. XIX, nº 7.)

5. Se, pois, em sua previdente sabedoria, a Providência só gradualmente revela as verdades, é claro que as desvenda à proporção que a Humanidade se vai mostrando amadurecida para as receber. Ela as mantém de reserva e não sob o alqueire. Os homens, porém, que entram a possuí-las, quase sempre as ocultam do vulgo com o intento de o dominarem. São esses os que, verdadeiramente, colocam a luz debaixo do alqueire. É por isso que todas as religiões têm tido seus mistérios, cujo exame proíbem. Mas, ao passo que essas religiões iam ficando para trás, a Ciência e a inteligência avançaram e romperam o véu misterioso. Havendo-se tornado adulto, o vulgo entendeu de penetrar o fundo das coisas e eliminou de sua fé o que era contrário à observação.

Não podem existir mistérios absolutos e Jesus está com a razão quando diz que nada há secreto que não venha a ser conhecido. Tudo o que se acha oculto será descoberto um dia e o que o homem ainda não pode compreender lhe será sucessivamente desvendado, em mundos mais adiantados, quando se houver purificado. Aqui na Terra, ele ainda se encontra em pleno nevoeiro.

6. Pergunta-se: que proveito podia o povo tirar dessa multidão de parábolas, cujo sentido se lhe conservava impenetrável? É de notar-se que Jesus somente se exprimiu por parábolas sobre as partes de certo modo abstratas da sua doutrina. Mas, tendo feito da caridade para com o próximo e da humildade condições básicas da salvação, tudo o que disse a esse respeito é inteiramente claro, explícito e sem ambigüidade alguma. Assim devia ser, porque era a regra de conduta, regra que todos tinham de compreender para poderem observá-la. Era o essencial para a multidão ignorante, à qual ele se limitava a dizer: “Eis o que é preciso se faça para ganhar o reino dos céus.” Sobre as outras partes, apenas aos discípulos desenvolvia o seu pensamento. Por serem eles mais adiantados, moral e intelectualmente, Jesus pôde iniciá-los no conhecimento de verdades mais abstratas. Daí o haver dito: Aos que já têm, ainda mais se dará. (Cap. XVIII, nº 15.)

Entretanto, mesmo com os apóstolos, conservou-se impreciso acerca de muitos pontos, cuja completa inteligência ficava reservada a ulteriores tempos. Foram esses pontos que deram ensejo a tão diversas interpretações, até que a Ciência, de um lado, e o Espiritismo, de outro, revelassem as novas leis da Natureza, que lhes tornaram perceptível o verdadeiro sentido.

7. O Espiritismo, hoje, projeta luz sobre uma imensidade de pontos obscuros; não a lança, porém, inconsideradamente. Com admirável prudência se conduzem os Espíritos, ao darem suas instruções. Só gradual e sucessivamente consideraram as diversas partes já conhecidas da Doutrina, deixando as outras partes para serem reveladas à medida que se for tornando oportuno fazê-las sair da obscuridade. Se a houvessem apresentado completa desde o primeiro momento, somente a reduzido número de pessoas se teria ela mostrado acessível; houvera mesmo assustado as que não se achassem preparadas para recebê-la, do que resultaria ficar prejudicada a sua propagação. Se, pois, os Espíritos ainda não dizem tudo ostensivamente, não é porque haja na Doutrina mistérios em que só alguns privilegiados possam penetrar, nem porque eles coloquem a lâmpada debaixo do alqueire; é porque cada coisa tem de vir no momento oportuno. Eles dão a cada idéia tempo para amadurecer e propagar-se, antes que apresentem outra, e aos acontecimentos o de preparar a aceitação dessa outra.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPITULO 24, itens de 1 a 7
Allan Kardec
FEB – 2002


Alegria

 

Alegria é o cântico das horas com que Deus te afaga a passagem no mundo.

Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a cabeleira do campo com música de ninar.

A água da fonte é carinho liquefeito no coração da terra e o próprio grão de areia, inundado de sol, é mensagem de alegria a falar-te do chão.

Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos outros.

Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que esperas, ergue os olhos para a face risonha da vida que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.

Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.

A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse para renovar-se diariamente, em festa de amor e luz.

Meimei

XAVIER, F. C. e VIEIRA, Waldo. “Ideal Espírita”. Por Diversos Espíritos. 12.ed. Uberaba, MG: CEC, 1997, cap. 67.


Influências Espirituais Sutis

O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XII, item 3.
Livro dos Espíritos, questão 524.

Sempre que você experimente um estado de espírito tendente ao derrotismo, perdurando há várias horas, sem causa orgânica ou moral de destaque, avente a hipótese de uma influenciação espiritual sutil.

Seja claro consigo para auxiliar os Mentores Espirituais a socorrer você. Essa é a verdadeira ocasião da humildade, da prece, do passe.

Dentre os fatores que mais revelam essa condição da alma, incluem-se:

• dificuldade de concentrar ideias em motivos otimistas;
• ausência de ambiente íntimo para elevar os sentimentos em oração ou concentrar-se em leitura edificante;
• indisposição inexplicável, tristeza sem razão aparente e pressentimentos de desastre imediato;
• aborrecimentos imanifestos por não encontrar semelhantes ou assuntos sobre quem ou o que descarregá-los;
• pessimismos sub-reptícios, irritações surdas, queixas, exageros de sensibilidade e aptidão a condenar quem não tem culpa;
• interpretação forçada de fatos e atitudes suas ou dos outros, que você sabe não corresponder à realidade;
• hiperemotividade ou depressão raiando na iminência de pranto;
• ânsia de investir-se no papel de vítima ou de tomar uma posição absurda de automartírio;
• teimosia em não aceitar, para você mesmo, que haja influenciação espiritual consigo, mas, passados minutos ou horas do acontecimento, vêm-lhe a mudança de impulsos, o arrependimento, a recomposição do tom mental e, não raro, a constatação de que é tarde para desfazer o erro consumado.

São sempre acompanhamentos discretos e eventuais por parte do desencarnado e imperceptíveis ao encarnado pela finura do processo.

O Espírito responsável pode estar tão inconsciente de seus atos que os efeitos negativos se fazem sentir como se fossem desenvolvidos pela própria pessoa.

Quando o influenciador é consciente, a ocorrência é preparada com antecedência e meticulosidade, às vezes, dias e semanas antes do sorrateiro assalto, marcado para a oportunidade de encontro em perspectiva, conversação, recebimento de carta, clímax de negócio ou crise imprevista de serviço.

Não se sabe o que tem causado maior dano à Humanidade: se as obsessões espetaculares, individuais e coletivas, que todos percebem e ajudam a desfazer ou isolar, ou se essas meio-obsessões de quase-obsidiados, despercebidas, contudo bem mais frequentes, que minam as energias de uma só criatura incauta, mas influenciando o roteiro de legiões de outras.

Quantas desavenças, separações e fracassos não surgem assim?

Estude em sua existência se nessa última quinzena você não esteve em alguma circunstância com características de influenciação espiritual sutil. Estude e ajude a você mesmo.

André Luiz

XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. “Estude e Viva”. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 6.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1986. Capítulo 35.


Belo Lance de Caridade Evangélica

Um lance de caridade realizado pelo sr. Ginet, cantoneiro de Saint-Julien-sous-Montmelas, é contado pelo Écho de Fourvière .
No dia primeiro de janeiro, ao cair da noite, achava-se agachada na praça de Saint-Julien uma mendiga profissional, coberta de chagas infectas, vestida de velhos trapos, cheios de bichos e, não obstante isso, todos a temiam; não respondia ao bem que lhe faziam senão por socos e injúrias. Tomada de súbito enfraquecimento, teria sucumbido na calçada, não fosse a caridade do nosso cantoneiro que, dominando a repugnância, tomou-a nos braços e a levou para sua casa.
Esse pobre homem tem apenas um alojamento muito apertado, para si, a mulher doente e três filhos pequenos; não tem outro recurso senão o seu módico salário. Pôs a velha mendiga sobre um pouco de palha dada pelo vizinho e dela cuida toda noite, procurando aquecê-la.
Ao romper do sol, essa mulher, enfraquecendo-se cada vez mais, lhe disse: ”Tenho dinheiro comigo; eu vo-lo dou pelos vossos cuidados.” E acrescentou essas palavras: “O senhor cura…” e expirou. Sem se preocupar com o dinheiro, o cantoneiro correu para procurar o cura; mas era tarde demais. A seguir, apressou-se a avisar os parentes, que moram numa paróquia vizinha e que estão em posição folgada. Estes chegam e a primeira palavra é esta: ”Minha irmã tinha dinheiro consigo; onde está?” E o cantoneiro responde: “Ela mo disse, mas não me inquietei.” Procuram e encontram, com efeito, mais de 400 francos num de seus bolsos.
Acabando a sua obra, o caridoso operário, auxiliado por uma vizinha, amortalha a pobre morta. Algumas pessoas eram de opinião que na noite seguinte ele colocasse o caixão no hangar vizinho, que estava fechado. “Não, disse ele; esta mulher não é um cão, mas uma cristã.” E a velou toda noite em sua casa, com a candeia acesa.
Às pessoas que lhe exprimiam admiração e o aconselhavam a pedir uma recompensa, respondia: “Oh! Não foi o interesse que me levou a agir. Que me dêem o que quiserem, mas nada pedirei. Na posição em que estou, posso encontrar-me no mesmo caso e seria muito feliz se tivessem piedade de mim.”
–  Que relação tem esse fato com o Espiritismo? Perguntaria um incrédulo – É que a caridade evangélica, tal qual a recomendou o Cristo, sendo uma lei do Espiritismo, todo o ato realmente caridoso é um ato espírita, e a ação desse homem é a aplicação da lei de caridade no que ela tem de mais puro e mais sublime, porque ele fez o bem, não só sem esperança de retribuição, sem pensar em seus encargos pessoais, mas quase com a certeza de ser pago com ingratidão, contentando-se em dizer que, em semelhante caso, quereria que tivessem feito o mesmo por ele. – Este homem é espírita? – Ignoramo-lo, mas não é provável. Em todo caso, se não o era pela letra, era-o pelo espírito. – Se não era espírita, então não foi o Espiritismo que o levou a essa ação? – Seguramente. – Então, por que o Espiritismo quer o mérito desta ação? – O Espiritismo não reivindica em seu proveito a ação desse homem, mas se vangloria de professar os princípios que o levaram a praticá-la, sem jamais ter tido a pretensão de possuir o privilégio de inspirar bons sentimentos. Ele honra o bem em qualquer parte onde se encontre; e quando os seus próprios adversários o praticam, eles os oferece como exemplo aos seus adeptos.

É lamentável que os jornais sejam menos pressurosos em reproduzir as boas ações, em geral, do que os crimes e os escândalos. Se há um fato que testemunha a perversidade humana, pode-se estar certo de que será repetido linha por linha como incentivo à curiosidade dos leitores. O exemplo é contagioso; por que não pôr ante sob os olhos das massas o exemplo do bem, em vez do do mal? Há nisso uma grande questão de moralidade pública, que trataremos mais tarde, com todos os desenvolvimentos que comporta.

 

Allan Kardec

Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos: ano XI – outubro de 1868. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p. 436-8.