Maria de Magdala – Uma história de Redenção

Jesus almoçava na casa de Simão, rico fariseu e famoso por recepcionar pessoas ilustres.

Quase no fim do banquete ouviu-se gritos e vozes em alternação.

Era Maria de Magdala sendo impedida de chegar onde Ele estava… Ela olhou em derredor, como se procurasse alguém, e semi-enlouquecida, arrojou-se aos pés do Rabi.

Simão estava estupefado! Conhecia aquela mulher! Seu lar honrado acolhia uma mulher de má vida! Desejou expulsá-la. Intentou mesmo fazê-lo. Temeu, porém. Conhecia a coragem dela, a sua audácia, pois que se atrevera a chegar até alí…

Maria, no entanto, apenas via o Mestre, sentia-se esperançada, embora recém-saída do pantanal.

Refaria os caminhos. Lutaria!

As lágrimas saltavam-lhe os olhos e caíam sobre os pés dEle. Enxugava-os com a basta cabeleira. Quebrou o gargalo do vaso de alabastro que conduzia e derramou o ungüento nos pés do Rabi, balsamizando-os com piedoso carinho. O perfume de rara essência invadiu o recinto e ela prosseguiu repetindo o generoso gesto.

Ele não dizia nada, como se nada sentisse.

O almoço foi encerrado friamente. Os demais convidados faziam questão de não ocultar o falso constrangimento.

Entre dentes e irado, Simão resmungava:

*”- Se este fosse profeta bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora”.

Jesus relanceou tranquilamente os olhos muito puros, e com serena entonação de voz, indagou:

“- Simão! Uma coisa tenho a dizer-te”.

“- Dize-a, Mestre”.

“- Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos e o outro cinquenta dinares. Não tendo eles com que pagar a dívida, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais?”

Simão sorriu pela primeira vez. Era astuto, hábil nos negócios. Instado à conversação direta, respondeu com alegria:

*”- Tenho para mim que é aquele à quem mais perdoou”.

“- Julgaste bem”.

O Rabi dirigiu o olhar à mulher sofredora e inquiriu Simão, outra vez:

*”- Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e tu não me deste água para os pés; mas esta mos regou com lágrimas e mos enxugou com os seus cabelos. Tu não me deste o ósculo, mas esta, desde que entrou, não cessa de me beijar os pés. Tu não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento… Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama”.

Simão estava estarrecido. Não compreendia aquelas palavras claras, talvez pelo impacto das suas desordenadas emoções, onde arrogante e hipócrita, cria ser melhor e mais merecedor que a pecadora que lhe invadira a casa descaradamente.

Abriu desmesuradamente os olhos e fitou o Rabi.

O Mestre pôs-se de pé e oferecendo as mãos à pecadora, falou com doçura:

*”- Os teus pecados te são perdoados… vai-te em paz!”

Ela se levantara de um salto, exuberante de felicidade, e saiu como chegara: a correr.

Desapareceu de Magdala.

Todas as tardes, porém, na multidão, ajudando crianças enfermas, oferecendo olhos à cegos e mãos a trôpegos, arrependida e ansiosa pela própria renovação total, pôs-se a seguir Jesus de cidade em cidade, por onde Ele fosse…

Após a partida dEle, os próprios apóstolos lhe desprezaram. Deles ouviu frases de sarcasmo e zombaria pela sua antiga condição. Solitária e com a alma bordejando de amor, pôs-se a serviço no Vale dos Leprosos, o único lugar onde encontrou abrigo e carinho. Viveu entre eles, pregando o Evangelho e balsamizando suas feridas, por 30 anos, quando contraiu a doença e retirou-se da matéria, com o corpo atacado pela lepra, porém angelicalmente renovada e espiritualmente linda, sendo recebida pelo próprio Mestre.

De todos os personagens do Evangelho, Maria de Magdala foi aquela que conseguiu superar-se mais, diante da mensagem renovadora e amorosa do Cristo, tendo sempre a lembrança da frase que ouviu dEle, quando O viu pela primeira vez: “Há flores perfumadas e de brancura imaculada que espalham aroma sobre o lodo que lhes segura as raízes”.

*Lucas (VII – 36 à 50).

Observação: O espírito que animou a figura imortalizada nos 4 Evangelhos é estudado em inúmeras obras espíritas e, séculos depois, reencarnou como Amélia Rodrigues, conhecida personagem brasileira que, já desencarnada, ditou diversas obras a Divaldo P. Franco (Trigo de Deus, Primícias do Reino entre outras).

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