Arquivo para outubro, 2009

Dr. Bezerra de Menezes e a Felicidade

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“Um dia, perguntei ao Dr. Bezerra de Menezes, qual foi a sua maior felicidade quando chegou ao plano espiritual. Ele respondeu”:

“-A minha maior felicidade, meu filho, foi quando Celina, a mensageira de Maria Santíssima, se aproximou do leito em que eu ainda estava dormindo e, tocando-me, falou, suavemente”:

“-Bezerra, acorde, Bezerra!”.

Abri os olhos e via-a bela e radiosa.

“-Minha filha, é você, Celina?!

“-Sim, sou eu, meu amigo. A Mãe de Jesus pediu-me que lhe dissesse que você já se encontra na Vida Maior, havendo atravessado a porta da imortalidade. Agora, Bezerra, desperte feliz”.

Chegaram os meus familiares, os companheiros queridos das hostes espíritas que me vinham saudar. Mas eu ouvia um murmúrio, que me parecia vir de fora. Então, Celina me disse:

“-Venha ver, Bezerra”.

Ajudando-me a erguer do leito, amparou-me até uma sacada, e eu vi, meu filho, uma multidão que me acenava, com ternura e lágrimas nos olhos.

“-Quem são, Celina? – perguntei-lhe – não conheço a ninguém. Quem são?”.

“-São aqueles espíritos atormentados, que chegavam às sessões mediúnicas e a sua palavra caiu sobre eles como um bálsamo numa ferida em chaga viva; são os esquecidos da Terra, os destroçados do mundo, a quem você estimulou e guiou. São eles, que o vêem saudar no pórtico da eternidade…”.

E o Dr Bezerra concluiu:

“-A felicidade sem limites existe, meu filho, como decorrência do bem que fazemos, das lágrimas que enxugamos, das palavras que semeamos no caminho, para atapetar a senda que um dia percorremos”.

Do livro “O Semeador de Estrelas”, de Sueli Caldas Schuber

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Seja Leve.

 

seja multicolorico ;))

Todas nossas dores, nossas angustias, são depuradores de nosso espirito, como um lençol encardido, que, ao encarar o desafio de lava-lo, sofremos com os calos nas mãos de tanto esfrega-lo, para torna-lo limpo.

Pensamos no entanto, em deixar , no meio do caminho, o trabalho para outro dia, mas logo nos vem a imagem de nossas mãos se queixarem, e nossas costas  a doer, pois no dia seguinte é que começarão a aparecer com mais intensidade.

Prosseguimos.

Começamos então, a buscar uma forma de desviar a atenção no fato do cansaço, assim, nos vem uma musica que nos conforta naquele momento.

Quando, enfim, deparamos com um belo lençol, uma vez mofado e amarelo, outra vez alvo e perfumado, e  transbordamos de satisfação ao vê-lo,  sendo resultado de um pouco de nossa dedicação.

Uma pequena ação, quase insignificante para outros olhos, porem, o que importa é o saber que somos os agentes dessa transformação, e que  isso nos fez pessoas mais completas e confiantes em nosso potencial, nos tornando assim, apesar das adversidades, mais felizes naquele momento.

Uma simples comparação com a nossa existência.

Pois, que Deus abençoe quem inventou a maquina de lavar.

Porem, nossas atrocidades do passado, nossas maldades para com o próximo, nossos vícios morais, esses não há lavanderia, muito menos  a avançada tecnologia do “Selecionar /Del” , que apague de nosso perispirito, de nossa memória espiritual.

Que possamos substituir nosso orgulho, nossa vaidade, intolerância, prepotência, com a humildade, paciência , indulgência, porem de forma serena, “diminuindo os fatores estressantes’, segundo Divaldo Franco , com bom humor, com alegria, como a musica na hora do oficio domestico.

Sejamos  mais leves, retribuindo uma palavra áspera com um sorriso, uma provocação com silencio.

São pequeninas ações, que aparecerão com o tempo, na forma de uma grande edificação. O que precisamos em primeiro lugar, é da ousadia de começar ;).


Um desabafo.

Um desabafo.

É o que ouvi de um senhor chamado Luis Antonio, freqüentador da sopa aos sábados do hospital Seara.

Estava a limpar a mesa,  no final das atividades , quando escuto um companheiro de trabalho a conversar com o ultimo a terminar sua refeição no salão.

Vejo o Edinho a prosear  com simplicidade com o senhor, coisas cotidianas, corriqueiras da vida, quando ao despedir- se confessou que nunca mais havia sentido o ‘calor no coração’ que aquela conversa trouxera, que precisava daquele desabafo.

Ao passar por mim, de forma atrevida, após ter ouvido se queixar de insônia, resolvi dar-lhe uma receita de como aliviar esse mal, comum em muitos de nos, através da interferência espiritual.

Abriu-se um sorriso em sua face, e agradeceu com entusiasmo a  dica, e ao dar-lhe a mão para despedir-me , Sr. Luis não exitou em me dar um abraço.

Nesse momento, confesso, que minha reação foi de tamanho constrangimento, pois senti-me quando criança ao brigar com algum primo, e minha avó fazia a gente se desculpar e dar um abraço, um tanto forçado.

E o senhor  notando o meu embaraço, esclareceu que foi de coração, sem malicia, mais agradecido pela ajuda, envergonhei- me com minha postura ainda mais.

A noite depois da reunião no Centro, minha mãe, de forma intuitiva, deu-me um livro chamado Vale a Pena Amar, de José Carlos De Lucca, na seguinte mensagens, um grande puxão de orelha e uma lição tirada nesse presente dia , e faço questão de compartilhar  com todos.

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Nossas  moedinhasCópia de 0626ftl_gentry1

Sempre fui apaixonado pela vida de são Francisco. Não pense que isso se deva a uma minha afinidade com o ‘Pobrezinho de Assis’, Não é afinidade, o caso é de necessidade.E explico. Impressiona-me a simplicidade com que Francisco levou a sua vida, o desapego aos bens terrenos, seu amor à natureza, aos animais e aos homens a quem tratava e chamava de irmãos. E tudo isso era vivido com profundo alegra, traço não muito comum entre os religiosos de modo geral.  Francisco viveu o que eu preciso viver. Ele demonstrou que o Evangelho não é uma utopia, é uma proposta de vida capaz de nos tornar verdadeiramente feliz ao mesmo tempo e na mesma medida em que trabalhamos pela felicidade de nossos semelhantes.

 

 

Eu estava lendo mais uma biografia de Francisco, e confesso que me encontrava cada vez mais tocado por sua vida de consagração ao amor . Onde estivesse, o livro andava comigo. Num sábado de muito sol, saí para fazer umas compras. Depois de rodar alguma horas, senti fome e estacionei o carro para almoçar. Parei próximo a um restaurante com cadeiras na acalcada. Desci com o livro, terminaria a leitura de um capitulo enquanto aguardasse a refeição.

 

O restaurante estava cheio, a comida demorou. Deu tempo para mergulhar num dos fatos mais emocionantes que já havia lido. Francisco andava pelos arredores da cidade de Assis, e contava-se que ele tinha verdadeiramente ojeriza pelos portadores da lepra. Era uma doença que o repugnava e ele não conseguia ter contato algum com os leprosos.

 

Vejam o que aconteceu um dia quando vagando pelas redondezas da cidade, meditando no amor de Jesus pelos sofredores, Francisco vê a aproximação de um doente de lepra, que lhe estende as mãos em suplica:

 

– Uma moeda pelo amor de Deus…

 

Francisco tenta correr, mas se dá conta de que Jesus não aprovaria sua conduta. Rapidamente, descobre uma única moeda no bolso e o dá ao pedinte. Indiferente, porém, o enfermo continua a rogar…

 

– Uma esmola pelo amor de Deus…

 

Francisco tenta ver se encontra outra moeda; entretanto, nada mais lhe restava no bolso. E o mendigo insistia, com mais desespero:

 

– Uma esmola pelo amor de Deus!

 

– Não possuo mais nada, meu irmão, já lhe dei a única moeda que tinha, deixe me ir embora…

 

– Uma esmola pelo amor de Deus…

 

A insistência do leproso fez Francisco pensar mais com o coração e menos com a lógica. Percebeu que provavelmente o enfermo queria algo diferente, não pretendia uma simples moeda dada com frieza e indiferença, tal como fizera praticamente atirando-lhe o níquel. A esmola que o doente desejava receber era um donativo de amor, de aceitação, de amizade. O santo de Assis caiu em prantos e não hesitou em abraçar demoradamente aquele que reconheceu ser também um irmão de Jesus.

 

– Perdoe- me , meu companheiro, perdoe- me por ainda não o amar como você merece ser amado. Você tem a lepra no corpo, e eu a lepra na alma…

 

Alguns segundos se passaram da comovedora cena, e Francisco, contendo as lágrimas, solta os  braços e, ao tentar se despedir do mendigo, tem uma visão jamais imaginada: não era mais um leproso que ali se encontrava, era Jesus que se apresentava aos olhos de seu discípulo:

 

– Francisco, meu filho do coração , hoje você aprendeu a amor alem das aparências da carne, amou porque venceu preconceitos, superou barreiras , e conseguiu ver a essência divina que habita em cada um dos nossos irmãos. Vá, meu filho, continue amando, pregue meu  Evangelho com atitudes de amor.

 

Não preciso dizer que meus olhos se encheram de lagrimas e só não chore porque o garçom chegou com a comida. Depositei o livro de lado, e confesso que até a fome havia passado. Comecei a mexer o arroz quando um garoto de rua se aproximou pedindo dinheiro. Revirei o bolso e peguei uma moeda. Mas quando pretendia entregar a esmola, não sei por que bati os olhos no  livro de Francisco e me dei conta de que eu também estava ofertando moedas frias e indiferentes. E me pergunte: “ O que Francisco faria no meu lugar?” .Não tive  duvida de que ele convidaria o garoto para almoçar. Foi o que fiz. O guri aceitou o convite na hora, Sentou- se, apressadamente, talvez pensando que eu desistisse do convite. Olhei para o garçom e pedi que trouxesse mais comida.

 

Notei, porem , que o menino estava inquieto, olhava para os lados côo se estivasse procurando alguém.

 

-Você esta esperando alguma pessoa?

– Sim , tio, meu irmão.

– Onde ele esta?

-Perto, bem perto.

-Quer que ele venha almoçar conosco?

-Seria muito bom, tio.

 

E foi assim que meu convidado deu um sonoro assobio e rapidamente chegou mais um para comer. Olhei para o livro, dei risada para Francisco e mais uma vez acenei para o garçom que logo entendeu o recado. Mais comida foi posta na mesa, e ainda assim , notei , os dois estavam inquietos. Meu Deus do céu, será que vem mais gente?  Mais um assobio e a mãe dos garotos logo apareceu, faminta, precisando de comida para si e para outro filho em seu ventre. Nem precisei fazer gesto algum para o garçom trazer mais arroz, feijão e carne.

 

Almoçamos tranquilamente, conversamos sobre nossas vidas, e eles me disseram que fazia muito tempo que não sabiam o que era comida fresca e em quantidade suficiente para saciar seus estômagos. Ao se despedirem, um deles me disse:

 

– Tio, hoje não vai precisar roubar ninguém, porque o senhor fez nosso dia feliz.

 

-Ah , é porque a comida estava boa…

-Não, tio é porque nós sentamos com o senhor, comemos na mesma mesa e comemos a mesma comida sua, até me senti como se eu fosse seu filho. Hoje vou dormir contente…

 

Meus novos amigos dobraram a esquina e nunca mais os vi. Mas guardo a certeza de que, desde então, sou eu quem dorme em paz quando meu coração não se limita a jogar algumas moedinhas aos que precisam de carinho, atenção e amor.

 

Sem mais comentários . Fique apenas a reflexão.

 

Danda

Grande Beijo.

Muita Luz.